sábado, 23 de abril de 2011

OSWALDO LAMARTINE E A CULTURA DO VAQUEIRO

         Gostaria de registrar algumas notas do livro de Oswaldo Lamartine de Faria publicado no ano de 1969, o título do livro é Encouramento e arreios do vaqueiro no Seridó.

         Oswaldo cita Moisés Sesiom, repentista de Caicó onde ele glosa o mote, sobre o curtir o couro.

Dá sapato e dá gibão (a)

Tôda obra o couro dá.

Dá manta (b), bota e silhão (c),

Dá chapéu, dá bandoleira (d),

Dá corona (e) e dá perneira (f),

Dá sapato e dá gibão.

Prá se fazer matulão (g)

O couro é como não há,

Serve até pra caçuá (h)

Dá peia (i), dá rabichola (j),

Se prendendo a couro ou sola,

Tôda obra o couro dá....

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(a) Gibão – casaco de couro curtido que usa o vaqueiro para campear; o mesmo que vestia. (b) Manta – couro curtido (conservando o pêlo) usado como fôrro para selas. (c) Silhão – sela de mulher de um só estribo. A dama cavalga de lado, com uma perna estribada e a outra curva, apoiada em um suporte existente logo abaixo da lua da sela. (d) Bandoleira – correia usada para conduzir armas longas. (e) Corona – peça de couro curtido com desenhos pespontados contendo bolsos onde conduzem roupas e objetos quando em viagem. É usada à guisa de capa, sobre a sela. (f) Perneira – calça de couro curtido que compõem a indumentária de campo do vaqueiro. (g) Matulão – saco de couro de carneiro curtido com a lã para fora, onde conduzem, principalmente, roupa. (h) Caçuá – depósito com alças nas pontas que se prendem, aos pares, nos cabeçotes das cangalhas. Manufaturados de cipó, couro cru ou talo de carnaúba. Quando de couro, se denomina uru. (i) Peia – algemas de couro que se prendem nas mãos (peia de mão) ou nas mãos e pés (peia de pé e mão) dos animais para, quando soltos, serem impedidos de correr ou se afastar. (j) Rabichola – tira larga de couro curtido, usada abaixo do rabicho para evitar que a sela se desloque para a frente.



FONTE:

FARIA, Oswaldo Lamartine de. Encouramentoe arreios do vaqueiro no Seridó. Natal, Fundação José Augusto, 1969.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

EM BUSCA DO HOMEM NOVO (FRAGMENTOS DO TEXTO)


             Para o cristianismo, por causa do irromper do homem novo em Jesus em Jesus Cristo, a esperança tornou-se seu apanágio e sua mensagem. O homem não permanece como um eterno Prometeu. O coração anseia porque entrevê a utopia como uma possível no horizonte de Deus. E ela se realizou em Jesus de Nazaré. Em função disso podia Dostoievski, ao regressar da casa dos mortos da Sibéria, confiante e esperançoso, formular seu credo: “creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais e de mais perfeito do que Cristo. E eu o digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha nele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade”.


Fonte:


Boff, Leonardo. A ressurreição de Cristo: a nossa ressurreição na morte. Petrópolis, Vozes, 1972.