quarta-feira, 1 de junho de 2011

OS HOMENS DA TERRA

Senhores barões da terra

Preparai vossa mortalha

Porque desfrutais da terra

E a terra é de quem trabalha

Bem como os frutos que encerra

Senhores barões da terra

Preparai vossa mortalha.

Chegado é o termo de guerra

Não há santo que vos valha

Não há foice contra a espada

Não o fogo contra a pedra

Não o fuzil contra a enxada

União contra granada

Reforma contra metralha



Senhores dono da terra

Juntai vossa rica trabalha

Vosso cristal, vossa prata

Luzindo em vossa toalha.

Juntai vossos ricos trapos

Senhores donos de terra

Que os nossos pobres farrapos

Nossa juta e nossa palha

Vem vindo pelo caminho

Para manchar vosso linho

Com o barro da nossa guerra:

E a nossa guerra não falha



Nossa guerra forja e funde

O operário e o camponês

Foi ele quem fez o forno

Onde assa o pão que comeis

Com seu martelo o seu terno

Sua lima e sua torquês,

Foi ele quem fez o forno

Onde assa o pão que comeis



Nosso pão de cada dia

Feito em vossa padaria

Com o trigo que não colheis

Nosso pão que forja e funde

O camponês e o operário

No forno onde coze o trigo

Para o pão que vos vendeis

Nas vendas do latifúndio

Senhor latifundiário!



Senhor grileiro da terra

É chegada a vossa vez

A voz que ouvis e que berra

É o brado do camponês

Clamando do seu calvário

Contra a vossa mesquinhez.

O café vos deu o ouro

Com que encheis vosso tesouro

A cana vos deu a prata

Que reluz em vosso armário

O cacau vos deu o cobre

Que atirais no chão do pobre

O algodão vos deu o chumbo

Com que matais o operário:

É chegada a vossa vez

Senhor latifundiário!



Em toda parte, nos campos

Junta-se a nossa outra voz

Escutai, senhor dos campos

Nós já não somos mais sós

Queremos bonança e paz

Para cuidar da lavoura

Ceifar o capim que dá

Colher o milho que doura,

Queremos que a terra possa

Ser tão nossa quanto vossa

Porque a terra não tem dono

Senhores dono de terra.

Queremos plantar no outono

Para te ver na primavera

Amor em vez de abandono

Fartura em vez de miséria.



Queremos paz, não a guerra

Senhores dono de terra...

Mas se ouvidos não prestais

Às grandes vozes gerais

Que ecoam de serra em serra

Então vos daremos guerra

Não há santo que vos valha:

Não há foice contra a espada

Não há fogo contra a pedra

Não o fuzil contra a enxada

_ Granada contra granada

_Metralha contra metralha



E a nossa guerra é sagrada

A nossa guerra não falha.




·         Este texto encontrei nos livros do meu avô paterno Cícero Batista de Miranda, sinceramente não sei se é de sua autoria, mais postei como forma de homenageá-lo.