Lendo o livro de Dom Nivaldo Monte “Minha cidade, Natal, e eu”, não poderia deixar de registrar no Fragmentos do Pensar, alguns textos deste livro. No capítulo “Natal no espaço e no tempo”, encontramos uma declamação de amor a Natal.
“Toda a cidade que não tem um rio é uma cidade mutilada, solitária e triste.
Como compreender e amar Lisboa sem o Tejo, Paris sem o Sena, Roma sem o Tibre, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio, Natal sem o Potengi?”
No outro capítulo “A Ribeira”, um momento de nostalgia, aliás, nostalgia estar em todo o livro, é um momento ímpar de clamor ao passado e aos monumentos perdidos e achados.
“No centro da Praça havia um coreto... e várias fontes de água viva. Uma, por sua excepcional beleza, chamava de modo especial a atenção da criançada, que, como eu, todas as manhãs descia da Rua do Camboim, em direção à Ribeira, onde estudávamos no Grupo Escolar Augusto Severo...
Era uma fonte em cujo centro se erguia uma estátua, em bronze, de um indiozinho, apertando, com força, o pescoço de uma serpente de cujas faces, escancaradas, jorrava puro como cristal um jato de água que iria encher a bacia da mesma aos seus pés. Eu achava uma beleza, a criança domando a cobra!
Agora eu lhe pergunto meu querido irmão e amigo, diga-me, por favor, onde puseram o indiozinho de minha praça! Diga-me onde o puseram que eu irei buscá-lo!
As duas crianças, um menino e uma menina, feitos de bronze que, com seus livros e cadernos nas mãos, nos esperavam todas as manhãs, sobre dois pilares do portão e nossa escola, como a nos dar boas vindas, estes eu sei onde os puseram. Ainda hoje, quando eu passo diante dos portões do Colégio Winston Churchill, na Avenida Rio Branco, junto ao Banco do Brasil, em busca da Ribeira, não é sem um olhar comprido, movido por uma saudade enorme, que descanso os olhos, mortos de ternura, naquelas duas figurinhas que tanto me aleitavam de encanto os dias da minha infância”.
Bibliografia:
MONTE, Dom Nivaldo. Minha Cidade, Natal, e eu.