terça-feira, 25 de outubro de 2011

NEWTON NAVARRO “OS MORTOS SÃO ESTRANGEIROS”

     Há alguns dias li o livro de Newton Navarro do qual o titulo já está exposto, são sete contos que nos prendem e fascinam do inicio ao final.

     Por causa da leitura do livro procurei saber quem era Newton Navarro, onde descobri para a minha surpresa que foi dramaturgo, pintor, desenhista, poeta e claro escritor.

     Na primeira leitura “a viajem e volta do boi Milonga”, fiquei triste com o fim do boi, o meu espírito de leitor não estava preparado para tal enredo (tragédia), gostaria de homenagear o boi Milonga, usando as próprias palavras de despedida do Newton Navarro, “vá, meu boi, vá”!. No segundo conto viajei com a cadeira, nostalgia de quem contempla a tudo e a todos onde o tempo e cadeira eram parceiras da avó, das saudades, das memórias que o tempo leva. No conto dos cavalos, mergulhei no abstrato das imagens, do menino Pedro e seus cavalos do menino feliz e realizado. No quarto conto estava Antônio e seus patos tendo o seu fiel escudeiro Molambo nas lembranças atenuadas de sua liberdade. O outro conto “pão de milho” me faz lembrar, do pão nosso de cada dia, o pão hoje, do partilhar, da comunhão de não sonegar do outro o alimento. O outro conto “sexta feira da paixão”, coincidência ou não o sexto conto do livro, vêm mostrar a dor de uma mãe que perde o seu filho assassinado, sexta feira da paixão traz a lembrança de mais alguém (mãe) que viu seu filho ser crucificado, a dor de outras mães anônimas ou não. Os mortos são estrangeiros o último conto deste livro e que leva o título de capa, nos faz lembrar que eles não fazem mais parte deste reino, reino dos vivos, fazem parte do reino das memórias, reino dos mortos, reino além vida terrena, por isso são estrangeiros, são estranhos a nossa realidade ou somos nós que somos os estrangeiros que já não participamos mais das suas “realidades”.

     Esse e o Newton Navarro que poucos conhecem ou sabem quem é, Newton Navarro nome de ponte, que nessa ponte possam nascer, leituras, leitores, foi passando nesta ponte, nas idas e vindas do trabalho, que fiz a leitura deste livro. E nasceu esse momento textual.





Autor: Oziel Dionísio de Miranda