quarta-feira, 29 de junho de 2011

FRAGMENTOS DE JUNHO

“Sou um homem que não desanimou de viver e acho a vida cheia de encantos”.


Câmara Cascudo 1898/1986

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“Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

Mahatama Gandhi 1869/1948

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sábado, 4 de junho de 2011

FRAGMENTOS DE DOM NIVALDO MONTE

      Lendo o livro de Dom Nivaldo Monte “Minha cidade, Natal, e eu”, não poderia deixar de registrar no Fragmentos do Pensar, alguns textos deste livro. No capítulo “Natal no espaço e no tempo”, encontramos uma declamação de amor a Natal.


     “Toda a cidade que não tem um rio é uma cidade mutilada, solitária e triste.

      Como compreender e amar Lisboa sem o Tejo, Paris sem o Sena, Roma sem o Tibre, Londres sem o Tâmisa, Viena sem o Danúbio, Natal sem o Potengi?”

      No outro capítulo “A Ribeira”, um momento de nostalgia, aliás, nostalgia estar em todo o livro, é um momento ímpar de clamor ao passado e aos monumentos perdidos e achados.

     “No centro da Praça havia um coreto... e várias fontes de água viva. Uma, por sua excepcional beleza, chamava de modo especial a atenção da criançada, que, como eu, todas as manhãs descia da Rua do Camboim, em direção à Ribeira, onde estudávamos no Grupo Escolar Augusto Severo...

      Era uma fonte em cujo centro se erguia uma estátua, em bronze, de um indiozinho, apertando, com força, o pescoço de uma serpente de cujas faces, escancaradas, jorrava puro como cristal um jato de água que iria encher a bacia da mesma aos seus pés. Eu achava uma beleza, a criança domando a cobra!

      Agora eu lhe pergunto meu querido irmão e amigo, diga-me, por favor, onde puseram o indiozinho de minha praça! Diga-me onde o puseram que eu irei buscá-lo!

      As duas crianças, um menino e uma menina, feitos de bronze que, com seus livros e cadernos nas mãos, nos esperavam todas as manhãs, sobre dois pilares do portão e nossa escola, como a nos dar boas vindas, estes eu sei onde os puseram. Ainda hoje, quando eu passo diante dos portões do Colégio Winston Churchill, na Avenida Rio Branco, junto ao Banco do Brasil, em busca da Ribeira, não é sem um olhar comprido, movido por uma saudade enorme, que descanso os olhos, mortos de ternura, naquelas duas figurinhas que tanto me aleitavam de encanto os dias da minha infância”.

Bibliografia:

MONTE, Dom Nivaldo. Minha Cidade, Natal, e eu.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

OS HOMENS DA TERRA

Senhores barões da terra

Preparai vossa mortalha

Porque desfrutais da terra

E a terra é de quem trabalha

Bem como os frutos que encerra

Senhores barões da terra

Preparai vossa mortalha.

Chegado é o termo de guerra

Não há santo que vos valha

Não há foice contra a espada

Não o fogo contra a pedra

Não o fuzil contra a enxada

União contra granada

Reforma contra metralha



Senhores dono da terra

Juntai vossa rica trabalha

Vosso cristal, vossa prata

Luzindo em vossa toalha.

Juntai vossos ricos trapos

Senhores donos de terra

Que os nossos pobres farrapos

Nossa juta e nossa palha

Vem vindo pelo caminho

Para manchar vosso linho

Com o barro da nossa guerra:

E a nossa guerra não falha



Nossa guerra forja e funde

O operário e o camponês

Foi ele quem fez o forno

Onde assa o pão que comeis

Com seu martelo o seu terno

Sua lima e sua torquês,

Foi ele quem fez o forno

Onde assa o pão que comeis



Nosso pão de cada dia

Feito em vossa padaria

Com o trigo que não colheis

Nosso pão que forja e funde

O camponês e o operário

No forno onde coze o trigo

Para o pão que vos vendeis

Nas vendas do latifúndio

Senhor latifundiário!



Senhor grileiro da terra

É chegada a vossa vez

A voz que ouvis e que berra

É o brado do camponês

Clamando do seu calvário

Contra a vossa mesquinhez.

O café vos deu o ouro

Com que encheis vosso tesouro

A cana vos deu a prata

Que reluz em vosso armário

O cacau vos deu o cobre

Que atirais no chão do pobre

O algodão vos deu o chumbo

Com que matais o operário:

É chegada a vossa vez

Senhor latifundiário!



Em toda parte, nos campos

Junta-se a nossa outra voz

Escutai, senhor dos campos

Nós já não somos mais sós

Queremos bonança e paz

Para cuidar da lavoura

Ceifar o capim que dá

Colher o milho que doura,

Queremos que a terra possa

Ser tão nossa quanto vossa

Porque a terra não tem dono

Senhores dono de terra.

Queremos plantar no outono

Para te ver na primavera

Amor em vez de abandono

Fartura em vez de miséria.



Queremos paz, não a guerra

Senhores dono de terra...

Mas se ouvidos não prestais

Às grandes vozes gerais

Que ecoam de serra em serra

Então vos daremos guerra

Não há santo que vos valha:

Não há foice contra a espada

Não há fogo contra a pedra

Não o fuzil contra a enxada

_ Granada contra granada

_Metralha contra metralha



E a nossa guerra é sagrada

A nossa guerra não falha.




·         Este texto encontrei nos livros do meu avô paterno Cícero Batista de Miranda, sinceramente não sei se é de sua autoria, mais postei como forma de homenageá-lo.