Ultimamente tenho presenciado a miséria humana de cada dia, em uma dessas andanças para ir ao trabalho peguei como de costume o ônibus que passa pela ponte nova conhecido por Ponte de Todos ou Newton Navarro, enfim, esse e um detalhe a parte saber o nome da ponte, eu e um número expressivo de usuários do coletivo presenciamos um casal no meio do lixo fedentino no Bairro das Rocas, o casal sem a menor cerimônia, como precisa-se de “cerimônia” para tal, cataram dois tabletes de iogurte que estava no lixo e começaram a degustar ali mesmo. Percebi que quem estava no coletivo ficaram perplexo, um silêncio sepulcral invadiu o ambiente, era incrível mais ninguém conseguia olhar um ao outro.
Outro dia entrou um cidadão por trás do coletivo alegando que não tinha dinheiro e que iria ao trabalho, o motorista já estava com o celular em mãos para ligar para a polícia, alguém se ofereceu para pagar a passagem e o rejeitou o pagamento, tirando o rapaz à ponta a pés, fiquei refletindo aquela cena, até onde vamos com a nossa insensibilidade? Por causa de 2,20 R$, chamar a polícia, enquanto outros mandando o motorista continuar a viajem, já que não tinham nada a ver com isso.
Para terminar as minhas confissões, certo dia depois de um maravilhoso almoço, saí do restaurante com uma garrafa de refrigerante pela metade, me deparei com um desses garotos de rua “almoçando” claro e óbvio no meio da rua, passei e fiquei no “dilema” se deixava o refrigerante ou não. Continuei a minha estrada sem deixar o líquido, e um pouco mais distante queria voltar mais não sei o motivo faltou coragem de fazer isso, passei o resto do dia me lembrando da Parábola do Samaritano, com certeza todos sabem que não estava incluso na participação do Samaritano Lc 10.25-37.
"Então o rei dirá aos que estiverem à sua direita: Venham benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram.
Então os justos lhe responderão: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar?
O Rei responderá: Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram".
Mateus 25.34-40.