Recebi recentemente este E-mail e creio que muitos receberam, mais o que é bom tem que ser publicado mais uma vez, parabéns Pr. Mardes Silva pela sua reflexão.
Sou um dos pastores da cidade que não se empolgaram muito com a vinda do grupo gospel para Natal. Apesar de apreciar algumas de suas canções, minha reserva é cunho teológico, político e ético.
Começo pelo político: a vinda do grupo é resultado de um processo de articulação política em que o poder público municipal banca praticamente todas as despesas do evento com a justificativa que atrairá milhares de pessoas, muitas oriundas de outros Estados, favorecendo o turismo local. Ainda que o argumento seja verdadeiro, não se pode ignorar que o Brasil é um Estado constitucionalmente leigo e a separação entre o Estado e Religião devem ser plenamente respeitados.
Portanto, nenhuma esfera de poder público brasileiro deveria bancar qualquer evento religioso, seja evangélico, católico, espírita ou de outra religião qualquer.
Segundo: minha reserva é ética, porque diante de tantas necessidades na cidade o dinheiro público não deveria beneficiar uma comunidade religiosa em particular e os evangélicos deveriam não apenas compreender, mas serem os primeiros a abrir mão dessa possível vantagem, exceto as que são responsabilidades do Estado como por exemplo, disponibilização e segurança do espaço público para realização do evento.
E teológico, porque mesmo sem concordar com a teologia do grupo declarada em suas músicas respeito o direito de crerem e se expressarem, mas permito-me a critica quando chega às raias do absurdo como no dia que a cantora andou de quatro no chão como que imitando um leão (ou seria uma leoa?) e/ou noutra ocasião quando declarou que Deus a teria orientado para comprar uma bota de couro de cobra pitom porque foi uma serpente que enganou Eva no paraíso e para “esmagar o Exu Boiadeiro” de uma cidade do interior de SP. Alguém deveria ter dito pra cantora que no Brasil é proibido o uso de peles de animais da fauna para roupas ou botas.
Eu a vi e ouvi dizer na TV que o evento seria para declarar que a cidade e a praia eram do Senhor e portanto, iriam devolvê-la a Ele. Quanta presunção!!! E quem disse que não era? A Bíblia já afirmava isso há muito tempo: Salmo 24.1: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e tudo que nele habita!”
Por fim, seria ótimo que um evento dessa envergadura reunisse milhares de pessoas numa atuação profética nos moldes bíblicos, denunciando a miséria, pobreza, injustiça social, corrupção, desigualdade social dentre outros males sociais, que se forem trabalhados com devida seriedade produziriam uma sociedade mais justa, segura e acolhedora para todos.
Como não tenho esperança que isto aconteça, provavelmente o evento se reduzirá apenas a entretenimento gospel e ajuntamento político ideológico com seus representantes “fazendo média” com o público fã do ministério de louvor.
Que pena...
Pr. Mardes Silva