A transfiguração de Jesus no Novo Testamento é comentada nos três Evangelhos sinópticos, em Mt 17.1-8; Mc 9.2-8; Lc 9. 28-36. Sua ausência do evangelho de João é usualmente explicada à base que a vida inteira de Cristo foi uma manifestação da glória divina (Jo 1.14; 2.11, etc). Encontramos referência à transfiguração em 2 Pe1.16-18. Sobre o significado de transfiguração no grego, metamorphóomai, “transformar”, “transfigurar”. Esse vocábulo grego é usado por duas vezes acerca da transfiguração de Jesus (Mt 17.2 e Mc9.2), e usado depois duas vezes acerca da transformação ocorrida nas vidas dos crentes, por meio das operações divinas (Rm 12.2; 1Co3.18). Segundo Russel Norman, Lucas não usa o verbo especifico “transfigurar”, mas apenas diz que a aparência de Cristo ficou “diferente”.
Nos Evangelhos sinóticos o evento teria tido lugar cerca de uma semana depois da confissão de Pedro sobre o caráter messiânico de Jesus. Ele escolheu dentre eles, três discípulos mais chegados, Pedro, Tiago e João, e levou-os a um monte (provavelmente o Hermon, que se eleva a uma altura de cerca de 3.000 metros acima do nível do mar) e as suas vestes brilharam com resplendor. Então Moises e Elias aparecem e falavam com ele, quando Pedro sugeriu que fizessem três tendas para os três personagens. Foi nessa ocasião que se fez ouvir uma voz de uma nuvem, declarando a filiação de Cristo e a sua autoridade, após o que cessou a visão. A narrativa sugere que o acontecimento foi objetivo, embora muitos eruditos modernos tenham procurado descrevê-lo em termos de uma experiência subjetiva da parte de Jesus ou de Pedro.
Para muitos interpretes a transfiguração assinala um importante estágio na revelação de Jesus como o Cristo e Filho de Deus e foi uma experiência semelhante a de seu batismo ( Mt 3.13-17; Mc1.9-11; Lc 3.21). Aqui a sua glória foi revelada não simplesmente através de seus feitos, mas de uma maneira muito pessoal.
Em Lucas somos informados que o assunto da conversa que Moisés e Elias tiveram com Jesus foi acerca do que estava prestes a acontecer em Jerusalém.
Existem muitas características sobre esse relato que derivam sua significação do Antigo Testamento. Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas a testificarem sobre o Messias, como profecia, cumprida, e superadas por eles. Alguns interpretes vêem nesse acontecimento a existência de muitos símbolos, como o de Moises, que representaria os que passaram pela existência da morte e o de Elias, como a figura dos redimidos que serão arrebatados sem ver a morte; os apóstolos são vistos como representantes de Israel no reino futuro. Os investigadores têm se preocupado mais com o significado, propósito e pano de fundo da narrativa do que com suas origens históricas, Herald Riesenfeld traça todos os antigos motivos e alusões em sua obra Jesus Transfigured (Copenhagen: Ejnar Munksgaard,1947), ele diz que a história e fundamentalmente “histórica”, pois relata uma visão da entronização de Jesus como Messias e Sumo Sacerdote, que Pedro e os outros puderam contemplar. G.H. Boobyer, “St. Mark and the Transfiguration Story”, Journal of Theological Studies, XLI,1940,PGS. 119-140, nega que isso tenha qualquer vínculo com a ressurreição. A transfiguração, em vez disso, seria a prefiguração da “parousia”, da segunda vinda de Cristo.
Diante disso a proposta a ser lançada aqui e que na transfiguração Moisés e Elias nunca estiveram em tal evento, Lucas narra o fato sobre a idéia de Pedro de fazer uma tenda para cada um deles, Jesus, Moisés e Elias. Depois desse comentário de Pedro, Lucas diz que ele não sabia o que estava dizendo, fato este que não é citado nos outros Evangelhos. Uma pergunta que podemos colocar aqui é: como Pedro sabia que era Elias e Moisés? visto, que Pedro não os conheceu, inclusive sabemos a diferença enorme de anos de existência dos dois para Pedro. No próprio livro de Lucas podemos extrair mais alguns detalhes sobre isso, onde o próprio Cristo conta a história do rico e Lázaro (Lc16. 19-31), onde o mestre diz que quem ta lá, não pode voltar para o outro lado, onde havia um abismo. O que queremos concluir aqui não é negar o evento da “transfiguração” ela existiu segundo as narrações sinópticas, e sim queremos pontuar que não era Elias e Moisés, mais provavelmente dois seres divinos estavam no ato da transfiguração.
Referências:
BUCKLAND, Rev. A. R. Dicionário Bíblico Universal, 12° reimpreessão,1997, Editora Vida, São Paulo-SP.
CHAMPLIN, Phd. Russel Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologica e filosófica. Volume 6 , s-z. 6° edição 2002, Editora Hagnos, São Paulo-SP.
O Novo Dicionário da Bíblia, reimpressões 1990, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova.