segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

DESPERTAR É PRECISO

Na primeira noite eles aproximam-se


e colhem uma Flor


do nosso jardim


e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem;


pisam as flores,


matam o nosso cão,


e não dizemos nada.
Até que um dia,


o mais frágil deles


entra sozinho em nossa casa,


rouba-nos a lua e,


conhecendo o nosso medo,


arranca-nos a voz da garganta.


E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.


Vlademir Maiakóvski (1893 - 1930)